
Um estudo publicado recentemente pela Academia Brasileira de Ciências apresenta considerações da ciência brasileira sobre a Amazônia e os desafios da pesquisa oceânica no país. Intitulado “O paradoxo brasileiro entre ciência oceânica e exploração de recursos naturais: em busca da estrutura e função do Grande Recife Amazônico”, o trabalho é assinado por Carlos E. de Rezende, Michel M. Mahiques, Eduardo Siegle, Claudia Omachi, Nils E. Asp, Ricardo Kruger, Cristiane Thompson e Fabiano Thompson e discute a relevância científica e ambiental do Grande Sistema Recifal Amazônico (GARS) em um contexto de crescente exploração de recursos naturais.
O estudo chama atenção para o baixo investimento nacional em ciências marinhas: apenas 0,03% dos recursos são destinados à pesquisa oceânica, frente a uma média global de 1,7%, segundo o Relatório Global de Ciência Oceânica (IOC–UNESCO, 2020). A situação é ainda mais crítica na Margem Equatorial Brasileira, onde menos de 5% da área foi estudada, o que limita o conhecimento sobre a biodiversidade marinha e reforça o papel estratégico do GARS para o avanço científico e a gestão sustentável da Amazônia Azul.
O texto também apresenta recomendações que apontam a urgência de medidas de gestão pesqueira e proteção ambiental no GARS, com restrição a práticas destrutivas, monitoramento contínuo e manejo sustentável dos recursos naturais. Além disso, destaca a necessidade de ampliar os investimentos em Ciências do Mar, com mais pesquisas oceanográficas na Margem Equatorial Brasileira e destinação de recursos para infraestrutura científica, inovação e bioeconomia marinha, buscando conciliar conservação ambiental, soberania científica e desenvolvimento socioeconômico.
📄 O documento completo pode ser acessado AQUI